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quarta-feira, 17 de março de 2010

Como escolher o lugar para ter seu bebê?

Aqui onde eu moro não tenho opções de maternidades, então não pude fazer pesquisa de locais pra escolher o que me agradaria mais ou o que tivesse o centro cirurgico mais TOP ou o que fosse mais humanizado. Tive que optar pelo único hopital e maternidade da cidade porque é onde a maioria dos bebês aqui de Araguaina nasce e é onde minha médica faz plantão e por ele ter UTI neo natal..
Relato do meu parto aqui e aqui.
Eu não tive muita escolha, mas em outras cidade maiores outras mulheres grávidas podem ter essa opção, como a minha amiga Vivi que visitou várias maternidades antes de escolher a que a Anna Clara fosse nascer, ou como a Marilia (do twitter) que escolheu um lugar onde ela pudesse ter seu Miguel por parto normal humanizado, etc etc...
Mas como seria a maneira correta para escolher o lugar ideal para parir? Uma reportagem do R7, pode nos ajudar com esse assunto, nele os especialistas explicam que em primeiro lugar devemos verificar a higiene/limpeza do hospital, porque um local limpo diminui o risco de infecção hospitalar e verificar também o comportamento de médicos e enfermeiros, quanto mais solicitos, atenciosos e educados com mães e bebês, maior a chance de haver uma filosofia voltada à humanização do parto. Essas e outras dicas vocês pode ler a reportagem na integra aqui.

E vocês minhas amigas como escolheram o lugar para seu filho nascer?
beijos...

quarta-feira, 10 de março de 2010

Dor no parto

por  Sofia Benini, filha de Maria Paula e Nery 

ENTENDA O QUE DÓI, ONDE DÓI, QUANTO DÓI E VEJA O QUE TE ESPERA TANTO NO PARTO NORMAL COMO NA CESÁREA. NÃO É UM BICHO DE SETE CABEÇAS COMO PINTAM, NÃO!



O medo da dor no parto é um dos principais motivos que levam as grávidas a optar pela cesárea aqui no Brasil. Pudera, quem é que não fica apavorada quando vê aquelas mulheres descabeladas, suadas e à beira de um colapso para dar à luz em filmes? Se você queria um parto hollywoodiano, vai se decepcionar. Já faz um tempo que as mulheres não são mais obrigadas a sentirem dor no parto, graças às técnicas avançadas de analgesia (no parto normal) e anestesia (na cesárea). Isso não significa que não vai doer nada. Vai, sim! Se você optar por um parto natural, por exemplo, em que não se recorre a nenhuma intervenção médica de alívio da dor, a intensidade será maior ainda. Ainda assim, quem tem preparo psicológico e está informada do que virá pela frente, consegue enfrentar numa boa. A grande vilã aqui é a ansiedade, seja no parto normal, natural ou na cesariana. Respire fundo, acalme-se e veja o que te espera nos 2 tipos de parto.

Parto normal




Um trabalho de parto pode demorar horas a fio, e fique tranquila: a dor não estará presente durante todo esse tempo. Ela será mais e menos forte dependendo do estágio. E para alívio geral da nação, os médicos costumam fazer a analgesia justamente na hora que ela está mais intensa, já no estágio final. O trabalho de parto é dividido em 3 etapas. Em cada uma delas, a dor é de um jeito. Veja quais são:

Primeira etapa
No início do trabalho de parto, quando a dilatação vaginal está com um tamanho entre 2 a 3 centímetros, as contrações acontecem duas vezes a cada 10 minutos. E entenda-se contração como dor. Elas começam devagar, ficam fortes e desaparecem. É uma dor suportável, que se assemelha a uma cólica muito forte. Nada de pânico!

Segunda etapa
Conforme a dilatação vai progredindo, as contrações vão ficando mais frequentes, 4 a cada 10 minutos. Nessa fase, as dores podem incomodar. “É uma dor que começa na barriga e se irradia para a coluna. Nesta fase, geralmente, fazemos a analgesia”, explica o ginecologista e obstetra Flavio Garcia de Oliveira, pai de Gabriel, Manoela, Pedro, Lucas e Maria Fernanda. Diferente da anestesia, que deixa a pessoa sem movimentos, a analgesia feita no parto normal é um anestésico injetado na espinha. Não existe uma hora certa para se aplicar na mulher, depende do limiar de dor de cada um. Por isso, respire aliviada. Só não vale dizer que a dor está insuportável no primeiro minuto do primeiro tempo. Quanto mais conseguir segurar, melhor.

Terceira etapa
Estamos na reta final. A dilatação vaginal foi para 10cm e agora falta pouco para o bebê passar pelo canal de parto e começar a coroar (quando a cabecinha enfim surge lá embaixo). É o momento em que a mulher tem de fazer força para expulsar o bebê. Segundo Dr. Flávio, em muitos casos a mãe esquece completamente da dor, por estar fazendo força para parir a criança. “A maioria das mulheres nem sentiriam a episiotomia”, explica.

O bebê nasceu!
Você vai sentir uma cólica, pois o útero ainda está se contraindo para expelir os tecidos formados na gestação. Às vezes, quando a mulher amamenta, a dor pode ser maior ainda, normal. Para fazer a episiotomia (incisão feita na região do períneo (entre a vagina e o ânus) para ampliar o canal de parto), o médico aplica um anestésico local. Quando o efeito passa, existe o incômodo dos pontos, como em qualquer outra cirurgia. Pode doer um pouco pra sentar, fazer xixi, mas provavelmente seu médico vai receitar analgésicos que aliviam até a recuperação total, que costuma acontecer depois de uns 3 ou 4 dias. A cólica uterina pode durar mais um pouco, até uma semana, principalmente quando a mãe amamenta, quando ocorre a liberação da ocitocina.

Cesárea


Bem, se no parto normal a mulher tem de lidar com a dor “durante”, aqui a batata quente vem depois. Se você não estava em trabalho de parto – ou seja, marcou a cirurgia para uma data específica – não sentirá dor nenhuma para dar à luz, já que estará sob efeito da anestesia, que pode ser geral (neste caso, a mulher dorme durante a cirurgia) ou regional (peridural ou raquidiana, que são mais indicadas: bloqueiam a dor da cintura pra baixo e mantem a mulher acordada). “O anestésico local combinado com o uso de morfina garante que a mulher não sinta dor por 24 horas”, explica Carlos Eduardo da Costa Martins, pai de Isabela e Bruno, diretor da Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo. Depois desse período, a dor e o desconforto da recuperação pós-parto é feita com medicações prescritas pelo obstetra.

O corte incomoda? Sim, incomoda, como qualquer outra cirurgia. Mulheres que vivenciaram a recuperação pós-parto de uma cesárea relatam que os pontos podem limitar os movimentos nos primeiros dias, quando o bebê requer cuidados intensos a toda hora. A boa notícia é que a técnica cirúrgica de uma cesariana evoluiu muito. Hoje em dia, já existem cirurgias minimamente invasivas, que não são tão impactantes para a mulher e para o bebê. Já ouvimos casos de mulheres que se impressionaram com o pós-parto de uma cesárea, muito mais tranquilo do que imaginavam. A verdade é que depende de cada pessoa. Só não pode escolher um tipo de parto ou outro por medo de dor. No fim, com seu bebê nos braços, verá que todo esforço vale a pena.
 
CONSULTORIA: FLAVIO GARCIA DE OLIVEIRA, PAI DE GABRIEL, MANOELA, PEDRO, LUCAS E MARIA FERNANDA, É GINECOLOGISTA E OBSTETRA ESPECIALISTA EM REPRODUÇÃO HUMANA E GESTAÇÃO DE ALTO RISCO. * CARLOS EDUARDO DA COSTA MARTINS, PAI DE ISABELA E BRUNO, DIRETOR DA SOCIEDADE DE ANESTESIOLOGIA DO ESTADO DE SÃO PAULO.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Pessoas com quem contar depois que o bebê nascer‏

Ainda na gestação, e, principalmente nos primeiros dias com o bebê em casa, ter a ajuda da mãe, amiga, babá e vizinha vão fazer toda a diferença na sua vida. Entenda

Patrícia Cerqueira


Shutterstock
Construir uma rede de sobrevivência dos suspiros iniciais do seu filho aos anos seguintes, além de saudável, é essencial. Você pode não acreditar, mas nos primeiros dias depois do nascimento talvez não consiga fazer nada além de comer, dormir e amamentar. Um pequeno grupo de pessoas à mão faz tudo parecer mais fácil. “Historicamente a maternidade sempre foi mais coletiva do que individual. As comunidades se mobilizavam quando um bebê nascia”, afirma a psicóloga Silvia Pinheiro Machado. Ainda na gestação, enquanto você tem tempo, imagine a rotina que terá e as pessoas e os serviços necessários para dar conta desse cotidiano. Aqui, mostramos alguns personagens-chaves, desde os óbvios, como o obstetra, até alguns impensáveis, como a mulher do zelador, a ser recrutados para cuidar de você.


Os obstetras
Deveriam cuidar da saúde global de suas pacientes, e isso inclui o emocional e o psicológico. Muitos se restringem, nas consultas de retorno, a olhar a mulher do pescoço para baixo: seios, pontos, períneo. “O obstetra deveria escutar essa nova mãe e ser o primeiro da rede a detectar se algo está indo mal”, diz Vera Iaconelli. Prepare-se para questioná-lo sobre tudo, dos gases às lágrimas que podem ser derramadas tão facilmente.


O pediatra
Ele é o primeiro profissional que vai ajudá-la com o bebê. Como chegar a ele? Na maioria das vezes, por indicação. Amigas, familiares ou o seu obstetra são as pessoas que dão informações confiáveis sobre ele. Reserve o último trimestre da gestação para procurá-lo. Conversar com vários, mesmo que pelo telefone, ajuda a fazer comparações, perceber o estilo de cada um: se é disponível, simpático, prático, se faz o estilo paizão. Se é moderno ou conservador. Há até aqueles que visitam em casa. Escolher o médico antes não é garantia de sucesso – pode ser que depois de algumas consultas, já com o bebê, você descubra que gostaria de outro perfil. Mas a tranquilidade de já ter para quem ligar no primeiro dia do bebê em casa não tem preço.



Consultora de amamentação e doula pós-parto
Ainda bem que essas profissionais existem. Elas vão até sua casa, ficam quanto precisar, ensinam cuidados básicos com o bebê, como o banho, a limpeza do coto umbilical e, principalmente, orientam sobre a amamentação. “Já fiquei cinco horas com uma mãe de gêmeos”, diz Márcia Koiffman, enfermeira obstétrica e consultora de amamentação. Esse é um dos grandes nós a ser desatados bem no início do pós-parto. Os seios ingurgitam, fissuram, o bebê chora demais porque mama de menos.

O trabalho da doula vai além disso. Ela esclarece dúvidas sobre cuidados com os pontos da cesárea e até a relação sexual. Ainda, se dispõe a ninar o bebê, dando à mãe mais tempo para comer, tomar banho e até tirar uma soneca. É uma ajuda necessária e que não tira o poder materno. É uma ajuda crucial nesse início de vida. Há muitos detalhes a ser aprendidos e durante a gestação ninguém dá atenção a eles. As doulas pós-parto e as consultoras são encontradas em sites e através de obstetras e pediatras com os quais trabalham em parceria.


As experientes – Mães, novas, velhas e virtuais
Pode soar óbvio, mas ninguém consegue entender e ajudar você a entender de maternidade mais do que outra mãe. Considere-se afortunada se tiver pessoas experientes em seu universo – mães, irmãs, cunhadas, amigas. “Hoje é muito comum encontrar jovens pais que nunca tiveram contato com outras crianças num passado recente. O primeiro bebê que eles vêem é o filho”, diz a pediatra Honorina de Almeida. A falta desse contato com o universo infantil é superada com leitura, informação, participação de grupos de gestantes. Tudo isso é ótimo. Só que o bebê não sai de dentro de um manual. Nem vem com um, acoplado nas costas. Outros problemas, além da amamentação, também surgem nos primeiros dias de pós-parto. E as respostas, na maioria dos casos, não estão nos livros. Vêm de uma mãe experiente. Ela vai entendê-la até porque fala o mesmo idioma.

No início do pós-parto nem sempre é fácil encontrar outras mães, mas o esforço em vê-las, porém, vale a pena. Pode fazer toda diferença. Você sai de dentro de casa. Os passeios a fazem sentir como um ser humano de novo e não apenas uma competente máquina de amamentar. Esses grupos, muitas vezes, surgem informalmente em parquinhos ou pracinhas. As mães virtuais oferecem um jeito mais conveniente de se fazer contato. Os blogs maternos crescem na rede.


Colaboradores – Empregadas, faxineiras, babás
Muitas mulheres descobrem que contratar uma pessoa que dê conta do serviço da casa é a chave para manter a vida da família minimamente em ordem. Empregadas ou faxineiras são o braço direito das mulheres. Ninguém discorda disso. Após o nascimento, elas continuarão essenciais. Além de manter a casa em ordem, podem ir ao supermercado, à feira e ao açougue. Se você ou seu marido comandam essas funções, pensem em delegá-las, mesmo que temporariamente. A faxineira semanal pode passar a vir mais dias na semana, por exemplo. A ideia de a empregada comprar o pão não lhe agrada? A internet é uma saída razoá­vel. Dá para fazer supermercado, farmácia, tudo online, e ainda encontrar cozinheiras – aquelas que vão à casa, cozinham e congelam as refeições enquanto você fica com o bebê. A contratação de uma empregada deve ser feita ainda na gravidez. Assim como a babá, se você deseja ter uma. Comece a procurar por volta do oitavo mês de gestação. Dessa forma, você terá um mês para selecionar, contratar e conviver com ela antes do nascimento. “Nesse tempo, a profissional será observada sobre como se comporta numa rotina que essa mãe imagina”, diz a psicóloga Márcia Coelho Medeiros.


Novos atores
A rede de sobrevivência começa na gestação e nunca mais se fecha. Novos membros surgem porque as necessidades mudam. Vizinhos, por exemplo, podem ser essenciais. Conhecê-los é importante. É possível que você necessite de uma mão e será muito mais fácil pedir a ajuda de uma pessoa com quem já estabeleceu amizade. Vizinhos com filhos, então, nem se fala, pois podem até ficar com o seu em um momento de emergência. A mulher do zelador, por exemplo, pode ser uma ótima baby-sitter para o sábado à noite.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

(desne)Cesárea

por  Larissa Purvinni, mãe de Carol, Duda e Babi, com reportagem de Cíntia Marcucci, filha de Mariza e Emiliano, Paula Montefusco, filha de Regina e Antonio, e Sofia Benini, filha de Maria Paula e Nery
MAIS DE 70% DAS BRASILEIRAS QUEREM FAZER PARTO NORMAL, MAS SÓ 10% CONSEGUEM. FOMOS INVESTIGAR OS PRINCIPAIS MOTIVOS QUE LEVAM A ESSE DESCOMPASSO


Amaioria das brasileiras (70%) gostaria de tentar o parto normal, mas muito poucas (10%) conseguem. O dado vem de pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública com colaboração do Instituto Fernandes Figueira, da Fiocruz, e da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. Nosso país é campeão em partos cirúrgicos, com índices que atingem 43% do total de nascimentos e chegam a 80% nos hospitais particulares. Em certas maternidades, a taxa ultrapassa 98%, quando a Organização Mundial da Saúde recomenda que não passe de 15% dos partos. As razões esbarram em questões culturais e na realidade do nosso sistema de saúde. As mulheres também levam parte da culpa, segundo os médicos. “A mulher latina suporta mal a dor, a encara como sofrimento, não como algo que depois a leva a uma grande realização pessoal”, aponta o ginecologista e obstetra Carlos Czeresnia, pai de Débora, Liora, Diana, Jonathan e Ricardo. O obstetra Jorge Kuhn, pai de Renata, Clara e Otávio, concorda: “Muitas mulheres esperam um parto utópico: rápido e sem dor”.


Parto no convênio
O outro lado da questão envolve o sistema de saúde brasileiro, em especial os convênios médicos. “Um parto normal pode demorar de 8 a 12 horas e ocorrer a qualquer momento. O médico faz as contas e conclui que é mais econômico programar a cesárea”, avalia Czeresnia. Por outro lado, o obstetra Jorge Hodick-Lenson, pai de Íris e Rebeca e avô de Sofia, que vieram ao mundo pelas suas mãos, afirma que, mesmo para médicos particulares, pagos diretamente pela paciente, sem depender da tabela dos planos de saúde, a incidência de cesáreas é alta – cerca de 80%. “A cliente está pagando pelo tempo necessário para o médico ficar com ela durante o trabalho de parto e, ainda assim, ele faz a cirurgia sem indicação efetiva, já que não existem 80% de indicações médicas para cesariana. Isso poderia ser considerado uma verdadeira epidemia de patologias obstétricas”. Ou seja: seria como dizer que as brasileiras têm algum defeito de fábrica: não entram em trabalho de parto, não têm dilatação e por aí vai...
O obstetra vai além: “Há alguns anos eu fiz uma pesquisa com 2.000 mulheres, fiz duas perguntas durante a execução de exames de ultrassonografia de rotina ginecológica. A primeira foi: ‘Seu parto ou partos foram normais ou cesarianas?’. Quase que 80% responderam que foram cesarianas. A segunda pergunta foi: ‘Por que foi cesariana?’. Quase 80% responderam quase com as mesmas palavras: ‘Não tive dilatação’. Ou seja, dá a impressão de que a mulher brasileira tem um ‘defeito’ no colo do útero – que dilata em todas as mulheres do mundo, menos nela. Isso denota uma falsa informação e indicação quanto aos motivos da cesariana”. Traduzindo: os médicos indicam o parto cirúrgico sem real necessidade e minimizam os riscos.

Cesárea segura?
Muitos profissionais insistem que, no caso do Brasil, a cesárea é tão segura quanto o parto normal, quando estudos mostram risco de morte quase 11 vezes maior em comparação às que fizeram parto vaginal. Há casos em que o doutor chega a dizer que não há diferença entre os dois tipos de parto, ambos têm vantagens e desvantagens, quando a evidência científica é a de que o parto normal é o melhor para mãe e bebê. Bebês nascidos por meio de cesárea têm risco quase 5 vezes maior de precisar ficar na UTI ou na semi-intensiva. Para os nascidos a termo, o risco de desenvolver desconforto respiratório é 7 vezes maior nos nascidos de cesáreas programadas do que nos nascidos de parto normal, porque o trabalho de parto serve para terminar o amadurecimento do bebê, principalmente dos sistemas respiratório, imunológico e nervoso. Muito disso ocorre por outro fator cultural, que é a confiança quase cega nos médicos, que faz muitas mulheres só se basearem no que seu obstetra lhes diz. Quando perguntamos sobre como convencer a mulher de que o parto normal deve ser a primeira opção, o dr. Kuhn, pai de Renata, Clara e Otávio, aponta que esse não é o caminho para reverter o alto número de cesáreas. “A palavra não é convencimento. A mulher precisa se informar adequadamente. Mas aí vem a comodidade tanto dela quanto do médico. Para o Ministério da Saúde é interessante investir no parto normal, pois, além de ser o melhor para o bebê e para a mulher, é mais barato e não apresenta os riscos de uma cirurgia. Os médicos não explicam sobre possíveis hemorragias e infecções, pois não é conveniente”. Ou seja: muitos médicos, no mínimo, omitem informações importantes.

O papel do acompanhante
Uma das investidas do Ministério é implementar a Lei do Acompanhante, que prevê a entrada de um acompanhante da escolha da mulher na sala de parto – sem custo adicional. “A mulher tem de confiar em si mesma e em quem está com ela. E se sentir acolhida no ambiente para ter a tranquilidade de esperar o curso natural do parto”, comenta Daphne Rattner, filha de Henrique e Miriam, especializada na área técnica da Saúde da Mulher do Ministério da Saúde. Desde o ano passado, quem tem convênio médico tem direito a uma enfermeira obstetra e a uma acompanhante de parto. A meta do governo é reduzir de 80% para 60%, até 2011, o percentual de cesarianas em partos cobertos por planos e seguros de saúde. Na rede pública, em que o percentual já é menor, a meta é reduzir de 30% para 25%. No entanto, neste ano, dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostraram um novo aumento da taxa de cesarianas: em 2008, 84,5% dos partos cobertos por planos de saúde foram cesarianas; em 2004, a taxa era de 79%. Claro que a culpa não é só do médico. Muitas vezes, a própria paciente demonstra em suas atitudes, mesmo que diga que quer o parto normal, que não está realmente disposta a passar por tudo que ele implica. O que vale a pena, sempre, é ir atrás de informações e buscar, o mais cedo possível, um médico que esteja de acordo com a sua ideia de como deve ser o parto do seu filho. Conversamos com mulheres que queriam muito ter feito parto normal, mas acabaram fazendo o que, desconfiam, foi uma “desnecesárea” – e identificamos alguns dos principais motivos que levam a esse desencontro.

Quatro problemas, quatro soluções

MÃES QUE QUERIAM QUE SEUS FILHOS NASCESSEM POR PARTO NORMAL CONTAM AS DIFICULDADES QUE ELAS ENFRENTARAM. A GENTE TE AJUDA A ENTENDER CADA CASO - E COMO RESOLVÊ-LO, SE FOR POSSÍVEL

1. A escolha errada do médico
"Confiei na minha médica, que me disse que a prioridade era sempre o parto normal. Em quem mais eu confiaria? Com 39 semanas, ela me fez um exame de toque e disse que não havia nada de dilatação. Como eu havia passado por uma cirurgia para a retirada de um suposto tecido cancerígeno do útero (diagnóstico nunca confirmado), bastou. Ela me disse: “Se com 39 semanas você não tem nem sinal de dilatação é porque seu útero é enrijecido. Vamos marcar a cesárea, porque você nunca vai ter dilatação”. Eu me lembro de sair aos prantos do consultório. Após a cirurgia ela me disse: “Querida, você realmente não teria um parto normal, pois, além de não dilatar, seu bebê não estava encaixado”. Na hora, ainda anestesiada, nem percebi o absurdo dessa declaração."
Renata Suarez, mãe de Pedro e Léo

O PROBLEMA. Muitos planos de saúde pagam entre R$ 300 e R$ 500 pelo acompanhamento de um parto e poucos médicos se dispõem a trabalhar mais de dez horas por essa quantia. Alguns, para não perder a paciente, dizem que só na hora do parto é possível saber como proceder. Há bons médicos, que não exporiam mãe ou bebê aos riscos de uma cirurgia desnecessária. Mas não é tão fácil encontrá-los.
A SOLUÇÃO. Peça indicações a grupos de apoio ao parto normal, como o Amigas do Parto (www.amigasdoparto.com.br). Outra maneira é selecionar médicos do convênio e ligar para o consultório perguntando: “Você sabe dizer se ele faz mais partos normais ou cesáreas?”. Se a resposta for que ele faz cesárea de vez em quando, mas a maior parte é de partos normais, é uma boa pista. Converse com as pacientes na sala de espera; se a maioria fez cesárea, é mau sinal. Outra opção é ligar para a maternidade e pedir para falar com a enfermeira obstetra. Ela poderá indicar médicos adeptos do parto normal.

2 Dificuldade de lidar com a dor
"Desde que soube que estava grávida, tinha vontade que meu filho nascesse por parto normal. O dia do nascimento chegou e, depois de doze horas de trabalho de parto, a dor estava insuportável. Quis anestesia, o que me trouxe alívio da dor, mas atrapalhou na progressão das contrações. Continuei tentando por mais um tempo, mas, com quase 24h de trabalho de parto, estava exausta, no meu limite e acabei optando pela cesárea. Hoje, Flávia está com 8 meses; mas, se engravidar de um segundo filho, quero tentar dar à luz por parto normal".
Eliane Midori Tanaka, mãe de Flávia

O PROBLEMA. A percepção da dor varia muito de mulher para mulher. Algumas as descrevem como cólicas menstruais intensas, mas suportáveis; outras a consideram intolerável. É importante que a mulher esteja preparada para sentir alguma dor. O fato de ficar imobilizada na cama de parto atrapalha também. A anestesia barra a sensação dolorosa, mas pode diminuir a intensidade das contrações e a progressão da dilatação, aumentando o risco de cesárea. Por isso, ela é dada com o trabalho de parto bem avançado.
A SOLUÇÃO. Contar com um acompanhante de sua confiança ajuda a tolerar a dor. A presença de uma doula (profissional que acompanha o parto) é associada a menor necessidade de anestesia e de cesarianas. O corpo tem anestésicos naturais, as endorfinas, cuja produção é incentivada por um ambiente tranquilo e bloqueada pela presença de estranhos e pelo medo. Estudos mostram que o principal fator que faz a mulher não precisar de anestesia é ela acreditar que não precisa. A liberdade de posição ajuda: poder mudar de lado, caminhar, ter alguém que faça uma massagem, ficar naquela bola tipo Pilates ou na banheira de hidromassagem facilita controlar a sensação de dor.

3 Bebê "grande demais", com mais de 3,5 kg
"Chegando perto da 41ª semana, fiz o cardiotoco (exame que avalia o bem-estar fetal) e um ultrassom e, então, fui ao consultório. Estava com 1 cm de dilatação, mas, ao ver o ultrassom, a médica decretou: “Seu bebê está muito grande, com 3,980 kg e só faço partos normais em bebês até 3,5 kg”. Perdi o chão. Não tinha lido nada sobre até quantos quilos um parto normal não seria arriscado. Eu pedia calma, que precisava pensar, e ela disse: “Priscila, eu te disse que a apoiaria em um parto normal, desde que não oferecesse risco para você ou para a bebê. Nem mesmo pelo SUS fariam um parto normal com um bebê tão grande, pode quebrar algum ossinho e ela pode ter um problema para o resto da vida. É isso que você quer? Tente a sorte com um plantonista do hospital, talvez algum louco aceite.” Sem respostas, ela marcou minha cesárea. Recebi um documento dizendo: bebê macrossômico. A Lívia nasceu no mesmo dia, "salva por uma cesárea".
Priscila Moraes, mãe de Lívia

O PROBLEMA. Um bebê é considerado macrossômico (muito grande e pesado) acima de 3,7 kg, mas, ainda assim, é possível fazer o parto vaginal. A questão do feto macrossômico deve ser vista sempre em conjunto com o fator materno. Existem gestantes que conseguem dar à luz crianças grandes, porque têm uma boa bacia, o canal de parto. Há gestantes que, mesmo com bebês de peso normal (em tormo de 3 kg) não conseguem, por ter bacia estreita.
A SOLUÇÃO. É preciso se informar sobre se o médico apoia o parto normal e tem experiência em realizá-lo. Muitos profissionais sentem-se inseguros em fazer um parto normal por desconhecimento. Também existe o medo de processos. É mais fácil um médico ser processado por não fazer uma cesárea do que por tê-la feito desnecessariamente.

4. A gravidez ultrapassou o tempo previsto
"Deixei claro para o meu médico que queria um parto normal sem anestesia. Com 39 semanas, ele me examinou e disse que minha filha já estava encaixada e que o parto seria, muito provavelmente, naquele final de semana, mas não rolou. Ele tinha me dito que, se eu chegasse às 41 semanas, seria internada. Três dias antes disso, fui ao consultório e não tinha dilatação. Ele me disse que a cabeça estava muito alta e ele achava que ela não iria descer, porque meu quadril era muito estreito e informou que, para ele, o tempo de espera tinha acabado. Perguntei se não iria tentar induzir e ele disse que não, pois em seus 30 anos de experiência isso não adiantaria e ele não saberia se havia mecônio ou se iria causar sofrimento no bebê. Acabei fazendo cesárea. Soube, depois, que não havia mecônio, mas na hora fiquei em dúvida. Não acho que o meu médico me enganou, mas chegou ao limite de sua crença médica e achou mais prudente fazer a cesárea".
Elenira Peixoto, mãe de Dora

O PROBLEMA. A gestação humana normal vai de 37 a 42 semanas. Para que seja considerada passada da data provável (pós-data), precisa exceder 42 semanas ou 294 dias a partir do primeiro dia da última menstruação. Nem toda mulher dá à luz na chamada data provável de parto: 58% têm o bebê até o final da 40ª semana. Há a possibilidade de o “atraso” se dever à inexatidão do cálculo. Numa cesárea marcada antes que a mãe entre em trabalho de parto, há risco de o bebê nascer prematuro.
A SOLUÇÃO. É possível fazer exames para acompanhar o bem-estar do feto e a situação da placenta, que pode deixar de realizar a função respiratória e de propiciar os nutrientes essenciais de que o bebê necessita quando a gestação se estende muito. Se tudo estiver bem, ainda é possível tentar induzir o parto.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Parto cesárea: como é feito e quando é realmente necessário?

Saiba em quais situações este procedimento é a melhor opção, quando é caso de ser avaliado pelo especialista e quando não é preciso

Crescer

Shutterstock
A apresentadora Adriane Galisteu, grávida de 3 meses, disse que não poderá ter seu bebê de parto normal por conta de uma cirurgia que fez no reto em 2007. Alguns casos, de fato, o mais seguro para a mãe e o bebê é o parto cirúrgico. Mas muitas vezes ele é agendado sem necessidade, o que coloca mãe e filho em risco. E você? Sabe em quais situações ele é realmente a melhor opção? Abaixo, confira uma ficha completa para entender melhor tudo sobre o parto cesárea:


Como e onde é feito
Sempre no hospital (e que tenha uma maternidade separada) ou em uma maternidade e com anestesia, que pode ser a ráqui ou a peridural. A anestesia geral só acontece em casos excepcionais. É necessária uma equipe multidisciplinar, com cirurgião obstetra, auxiliar do cirurgião, anestesista, neonatologista, enfermeiras e auxiliares. Além disso, é preciso que o hospital ou maternidade tenha equipamentos para suporte à vida em situações críticas, como respirador, medicamentos, UTI neonatal e adulto e banco de sangue. É feito um corte com cerca de 8 a 10 cm no sentido transversal, na parte baixa do ventre, bem na borda dos pêlos pubianos.


Quando é necessário
• Quando a placenta cobre o colo do útero, impedindo a saída do bebê – a chamada placenta prévia. A cirurgia é agendada antes de o trabalho de parto ter início, para não haver risco de sangramento. O diagnóstico só acontece a partir da 30ª semana.
• Quando há descolamento prematuro da placenta.
• Quando a mãe tem aids. Se a carga viral for alta ou desconhecida, a cesárea deve ser agendada. Se a carga viral for indetectável, pode ser parto normal.
• Se a mãe tem herpes genital, com uma lesão ativa até 1 mês antes do parto. Quem tem a doença pode prevenir as lesões tomando medicamentos.
• Em alguns casos raros de doenças cardíacas.
• Se o bebê está atravessado. Antes, o médico pode tentar ajudá-lo a ficar na posição correta.
• Quando o cordão penetra no canal de parto antes da cabeça do bebê. Também só será possível perceber isso depois de o trabalho de parto ter começado.
• Quando o bebê apresenta uma redução drástica no fluxo de oxigênio ou nos batimentos cardíacos. Isso acontece apenas em torno de 1% dos casos.
• Se a abertura do colo da mãe é pequena para o bebê, algo que ocorre em menos de 5% dos partos.


Casos que devem ser estudados com o médico
• Se o bebê estiver sentado e a mulher já tiver tido parto normal antes.
• Quando foram feitas duas ou mais cesáreas anteriores.
• Se a mulher tem defeitos na bacia, algo que provavelmente ela já descobriu antes de engravidar, por meio de um simples exame de toque.
• Se a criança está frágil demais, ou seja, se há retardo do crescimento.
• Se o parto pára de progredir. Nesse caso, há recursos para estimular a continuidade, como o hormônio ocitocina.
• Se há alteração na circulação do sangue entre mãe e bebê, medida pelo exame de dopplerfluxometria.
• Pressão alta na gravidez (acima de 13 x 9). Em muitos casos, o ideal é acelerar o parto com o uso de ocitocina.
• Quando a mãe tem pré-eclâmpsia, doença típica da gravidez que eleva a pressão arterial, o parto também deve acontecer rápido. Mas é possível prevenir a doença com um bom pré-natal, dieta balanceada e aspirina para quem tem risco.


Quando a cesárea não é necessária
• Cordão enrolado no pescoço do bebê (não importa quantas voltas), desde que o bebê esteja bem.
• Falta de dilatação. Pode ocorrer por um distúrbio raro no colo do útero (menos de 1% das mulheres o têm), mas, na maioria das vezes, se não dilatou é porque não chegou a hora mesmo.
• Se passou da semana número 40 da gravidez. É normal esperar até 42 semanas, monitorando o bebê.
• Se a mulher tem mais de 35 anos.
• Se a mulher teve uma cesárea anterior.
• Se o trabalho de parto está demorado. A mulher pode passar vários dias sentindo algumas contrações, sem ter entrado em trabalho de parto. Os médicos só consideram trabalho de parto quando há mais de 3 cm de dilatação e contrações regulares. Aí, então, o processo pode levar entre 8 e 18 horas.
• Bacia estreita (esses casos são raríssimos e, em geral, a mulher já descobriu a alteração antes).
• Bebê grande demais (um bebê precisa ter mais de 4,5 quilos para ser considerado grande. É bem raro).
• Se a mulher tem verrugas genitais, mioma ou HPV (a não ser que obstruam a passagem do bebê).

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Parir e Gozar


Prepare-se para quebrar o paradigma de que parir é sofrer. Pela primeira vez numa revista feminina brasileira, a relação entre maternidade e sexualidade – sem tabus.
Leia a reportagem na integra AQUI.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Quarentena - depois que o bebê nasceu, e agora?‏

A tal quarentena
O bebê nasceu e o seu corpo passa por novas transformações, tudo para retornar à forma de nove meses antes... Saiba o que acontece nesta fase e os cuidados necessários para viver um pós-parto feliz

Cáren Nakashima 


Quarentena, resguardo, dieta... Esses são os “apelidos” do puerpério – etapa da vida da mulher que se inicia logo após o parto. Ao contrário do que se pode imaginar, esse tempinho não requer repouso absoluto e, sim, cuidados e muito carinho. Não há uma fórmula precisa, uma equação ou o timing perfeito para todas as mães retomarem suas atividades. O que existe são mulheres diferentes. Mas damos uma mãozinha para você entender melhor o que está acontecendo neste período e esclarecemos as principais dúvidas.
'O que acontece com o seu corpo'
Durante a gravidez o volume do seu sangue aumenta em cerca de 50% - para nutrir o pequeno em formação dentro de você, irrigar os órgãos... Quando o bebê nasce, a quantidade de líquido circulando pelo corpo está acima do normal, bem como o tamanho do útero. Por isso, o inchaço – principalmente da barriga e dos membros inferiores – é perfeitamente normal. Os músculos da região abdominal estão mais “frouxos” e para quem se submeteu à cesárea, há ainda modifi cações nas faixas de sustentação do intestino devido à intervenção cirúrgica. É claro que tudo isso vai voltar ao estado original. É só uma questão de tempo e alguns cuidados.

'Um alívio para o inchaço'
Em aproximadamente duas semanas o líquido excedente vai embora pela urina. “Para contribuir na eliminação do inchaço a mulher pode elevar as pernas na altura do quadril e diminuir a ingestão de sal na dieta”, recomenda Otávio Fraige, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz, de São Paulo. Embora pareça tentador, os medicamentos diuréticos estão terminantemente proibidos pois “podem interferir, inclusive, na quantidade de leite”, adverte o médico.

'Número 1, número 2'
Segundo Zlotnik, quem se submeteu à cesárea pode perceber uma demora maior no funcionamento do intestino. “Nesse caso, costumo receitar medicamentos naturais para que a evacuação ocorra normalmente”, completa Fraige. Também vale priorizar a alimentação com fi bras e verduras, além de muita água. Quanto ao xixi, muito vai sair, para eliminar todo o líquido excedente.

'O papel da amamentação'
O aleitamento materno é importantíssimo para que o útero volte ao tamanho normal. “O hormônio ocitocina, que é estimulado com a amamentação, age fazendo a contração do órgão”, explica Zlotnik. Segundo o médico, pode ocorrer um pequeno sangramento no primeiro momento da mamada, mas ele logo cessa. O ginecologista e obstetra do Hospital Neomater (SP) Jorge Naufal completa: “É um duplo mecanismo de proteção: os vasos sanguíneos estão entre os músculos do útero que controlam o sangramento com as contrações. O útero deve voltar ao tamanho normal em cerca de 30 dias.

'Sangramentos acontecem'
Após o parto, ocorre a loquiação – eliminação do resto do tecido que fi ca entre o útero e a placenta, que foi retirada. Esse resíduo se desgruda em 30 ou 40 dias, depois disso, a secreção cessa. “Começa com uma cor avermelhada, até fi car amarelada. Não é um corrimento e é necessário usar absorventes”, esclarece Eduardo Zlotnik, ginecologista e obstetra do Hospital Albert Einstein (SP).

É verdade que com a perda de sangue no pós-parto a mulher pode fi car anêmica?'
A anemia só ocorre caso esse quadro tenha se apresentado durante a gestação. Segundo Otávio Fraige, o bebê “suga” os nutrientes da mãe mas tudo é controlado durante o pré-natal, com hemogramas e outros exames. Caso haja a necessidade de reposição de ferro, são receitados suplementos para contornar a defi ciência. “A mulher perde, em média, 1 litro de sangue na cesárea e 500 a 600 ml no parto normal. Levando em consideração que o volume de sangue aumentou muito, essa perda é insignifi cante, então a anemia pós-parto é atípica”, explica Eduardo Zlotnik.

'Aguarde para malhar'
Provavelmente a “recém-mamãe” nem terá pique e tempo sufi cientes para entrar de cara na malhação. De qualquer forma, Zlotnik costuma liberar suas pacientes para atividades físicas leves depois de 30 dias, o tempo ideal para os tecidos cicatrizarem. Otávio Fraige diz que costuma marcar o retorno de todas as mamães ao consultório um mês depois do nascimento do bebê para avaliar as condições de cada uma. “Também é preciso avaliar se o útero voltou ao normal”, diz. Então, o médico recomenda caminhadas e até musculação (com pesos leves, hein?) para tonifi car os músculos. Os esportes coletivos e as atividades mais intensas devem ser liberadas depois de dois meses, porém, durante a amamentação, fi que atenta. “Exercícios aeróbios muito intensos podem diminuir a quantidade de leite devido à desidratação que provocam”, adverte Fraige.

'E a cicatrização?'
Enquanto no parto normal há apenas a cicatrização do corte feito para facilitar a passagem do bebê pelo canal da vagina (episiotomia) “realizado com pontos absorvíveis, que caem em uma semana”, segundo defi nição de Otávio Fraige, quem passa pela cesárea deve esperar de 12 a 14 dias para retirar os pontos da cirurgia. Enquanto isso, siga as orientações do médico e apenas lave o local com água e sabão neutro. “Hoje as incisões são feitas com pontos intradérmicos, que não requerem soluções tópicas”, explica o médico. E evite movimentos bruscos. Nada de mudar aquele vaso enorme de lugar!

'Questão de estado espírito'
Nem pense em fi car deitada esperando o puerpério passar. “É importante que a mulher saia de casa, evite tensão e fortaleça os laços familiares”, sugere Zlotnik. Tudo para evitar a temida depressão pós-parto ou qualquer melancolia que pode ser prejudicial nessa fase de adaptação. Segundo o médico Jorge Naufal, o apoio da família e dos amigos próximos é imprescindível. “O blue baby – depressão moderada que dura cerca de uma semana – atinge 40 a 80% das mulheres por conta do esgotamento físico, da pressão da nova rotina...”, explica. Saia dessa! Coloque um sorriso no rosto e comemore a vitória de ser mãe.

'Espelho, espelho meu'
Se você ouviu a sua avó dizer que não pode lavar os cabelos durante a tal quarentena, isso é mito. “O que ocorre é o efúvio – queda capilar acentuada, que acaba quando os hormônios se estabilizam, geralmente depois de 30 a 45 dias após o fi nal da amamentação”, conta Zlotnik. A drenagem linfática também pode ser mantida, principalmente para quem se preocupa com o inchaço da barriga. Sobre o uso da cinta, Fraige é enfático: “ela não é obrigatória, mas as condições do pós-parto somadas a formação de gases incomoda.” O médico orienta às mamães gordinhas usarem o aparato após o funcionamento do intestino. “Já quem engordou apenas de oito a 12 quilos não precisa usar, mesmo porque ela pode gerar um certo desconforto”, ilustra.

'Entre quatro paredes'
As mudanças hormonais, assim como a pausa nas transas do fi m da gravidez somada aos 30 dias de resguardo recomendados acarretam algumas modifi cações no corpo. “A vagina fi ca levemente atrofi ada e mais seca, por isso as primeiras relações sexuais são incômodas”, explica Fraige. A libido pode diminuir, no entanto não é uma regra. Então, esqueça o Kama Sutra. A ordem é retomar a rotina sexual devagar e com bastante carinho. Se preciso, lance mão de géis lubrifi cantes à base de água. Isso vale tanto para quem teve parto normal quanto para quem se submeteu à cesárea.

'O cardápio do puerpério'
Os especialistas mantêm a mesma dieta indicada no pré-natal no período pós-parto. “A mãe deve evitar massas, doces, frituras e comidas gordurosas. Tudo visando os nutrientes necessários para a alimentação do bebê por meio da amamentação”, aconselha Naufal. Em alguns casos, há a prescrição de suplementação vitamínica, mas ela deve ser sempre orientada pelo obstetra.

'Quanto tempo?'
Confi ra, em média, em quantos dias você poderá voltar a:
Dirigir (exceto viagens longas) - 21 dias
Fazer caminhadas - 30 dias
Praticar musculação leve - 30 dias
Fazer esportes coletivos - 60 dias
Ter relações sexuais - 30 a 40 dias

'As fases da quarentena'
O ginecologista e obstetra do Hospital Neomater (SP), Jorge Naufal detalha o período pós-parto. “A quarentena é iniciada no momento da retirada da placenta e pode ser mediada”, como explica a seguir:

As primeiras 24 horas – É o período crítico, quando pode ocorrer hemorragia, alterações de pressão ou o útero não dá sinal de retração. A mãe fi ca em observação na maternidade.
10 dias após o parto – Chamado puerpério imediato, é quando todos os órgãos que foram “empurrados” pelo bebê e pelo útero voltam às suas posições originais. A última a sofrer descompressão é a bexiga pois o útero ainda está contraindo e só voltará ao tamanho real entre três e seis meses.
40 a 45 dias após o parto – O útero ainda está em fase de “limpeza”, expelindo o restante das secreções. Vale lembrar que enquanto há sangramento existe o risco de infecção, mesmo que pequeno. Esse período é denominado puerpério tardio.
6 meses após o parto – As restrições acabaram, o pós-parto também. Chegou a hora da primeira consulta ao ginecologista após as visitas terem sido exclusivamente ao obstetra.

O que deve ser levado ao Hospital no momento da internação?‏

A sacola da mamãe e do bebê devem ser preparadas desde o 7º mês de gestação
a) sacola da mamãe:
1- pacote de absorvente próprio para o pós-parto
1- chinelo de quarto
3- jogos de camisolas que sejam de fácil manejo para a mamentação
6- calcinhas de tamanho maior do que usava antes de engravidar 
1- cinta pós-parto - (Pergunte pra médica antes se você pode usar, alguns médicos só liberam o uso da cionta após a retirada dos pontos.) 
1- roupa para o dia de alta 
Produtos de higiene íntima: escova de dentes, escova de cabelos, shampoo, sabonete, creme dental, toalhas... (e se você quiser leve sua maquiagem também)
2- sutiãs de amamentação (Eu indico o sutiã da linha Maternity da HOPE) 
1- caixa de protetores de seios 
máquina fotográfica
b) sacola do bebê
1- creme para prevenção de assaduras 
3 pacotes de 10 unidades ou 1 pacote grande de fralda descartável (tamanho recém-nascido ou P)
3- conjunto pagão com calça
3- conjunto de lã de acordo com o clima 
3- macacão de recém-nascido 
2- lençol de bercinho
1- manta 
6-fraldas de pano (brancas, sem pintura)
1- escovinha macia para cabelos
2- sapatinhos e luvas de lã  
lembrancinhas e enfeite de porta
Esta é a lista mínima, fica a critério de cada um o que desejar levar a mais.
 
c) documentos
RG da paciente 
Carteira de convênio (caso tenha convênio, o Hospital exige na internação) 
CIC e RG do marido (ou acompanhante) 
Guia de internação (informe-se junto ao seu convênio se pode ser fornecida antes do parto, pois facilita muito no momento de internar).
OBS.: Parto é sempre urgência. Caso você se apavore, já saiu de casa e depois viu que esqueceu tudo, relaxe. Vá em frente. Leve sua esposa até o hospital e converse com a recepção. Enquanto ela está sendo atendida e você está assinando uma nota promissória, por exemplo, e um pouco mais tranqüilo, você volta e busca o que esqueceu.

sábado, 21 de novembro de 2009

Parto - Cesárea?

Cesárea?
por  Camila Vasconcellos, filha de Nilton e Teresinha  10 de julho, 2006

São muitas as vantagens de uma cesárea. Para o médico, porque delimita sua hora de trabalho, para a mãe, que evita sentir dor, e para o bebê que, quando em perigo, tem seu risco de morte bastante reduzido. Mas nem sempre ela se faz necessária e essa idéia de tirar proveito até na hora de trazer alguém ao mundo influencia muito o quadro das maternidades brasileiras.

O país é o primeiro em número de cirurgias cesarianas. Em algumas regiões chegam a ocorrer em 90% (!) dos partos - segundo a Organização Mundial da Saúde, as cesáreas não deveriam ultrapassar 15% dos nascimentos. Além disso, a OMS calcula que, de todas as cesáreas realizadas, cerca de 50% poderiam ser evitadas.

Muitas vezes, a comodidade do parto marcado está relacionada às classes média e alta e com mulheres mais instruídas que, geralmente, têm medo de sentir dor ou que são convencidas por médicos que têm uma agenda mais corrida.

A Dra. Daniella Castellotti, ginecologista, obstetra e especialista em medicina de reprodução do IPGO*, afirma que “no parto normal o bebê dá sinais de maturidade, ou seja, quando a paciente entra em trabalho de parto temos mais segurança em não estar fazendo nascer um bebê antes do tempo”, mas ela ainda alerta que essa decisão irá sempre depender da evolução de cada paciente.

Por isso, montamos uma lista que reafirma os benefícios do parto normal e tenta resgatar a importância desse momento na vida da mãe e do bebê.

Contrações e compressão do canal vaginal: elas ajudam a limpar o pulmão do recém nascido;

Prematuridade: o médico pode sim errar no cálculo e o bebê correr o risco de ter má oxigenação cerebral;

Estresse: até a adrenalina do parto ajuda a preparar seu filho para outras situações parecidas!;

Problemas no pulmão: cerca de 20% dos bebês com síndrome do desconforto respiratório nasceram de cesárea marcada;

Nem tudo é o que parece: não sofra por antecipação! Você pode optar pela cesárea depois que o trabalho de parto começar caso esteja muito incomodada com a dor;

Mais ligeiros: bebês que nascem de parto normal nascem mais espertos, pois recebem um ′aviso biológico′ de que sua hora de nascer está chegando e, portanto, preparam-se melhor para esse momento, nascendo mais astutos e com menos problemas de adaptação.

Vínculo mãe e bebê: psicologicamente, a interação mãe-bebê é muito favorecida pelo parto natural, no qual os laços de ligação são potencializados quando comparados a uma cesárea;

Amamentação: uma das vantagens é o fato do bebê poder, em alguns casos, mamar já na sala de parto;

Maior pique: no parto normal a mãe está mais disposta à convivência inicial, sem as dores do corte na barriga, feito na cesárea, e com uma anestesia que, em geral, permite uma movimentação muito mais fácil e precoce, o que também faz com que o vínculo seja mais estreito nessa fase;

Fisicamente falando: no parto normal não há cicatriz aparente – a possibilidade de dores abdominais por aderências é infinitamente menor, assim como a chance de hemorragias e infecções.

Dor e recuperação: Na cesárea, o médico corta sete camadas até chegar ao útero... ou seja, a mãe sente dores em qualquer posição ou qualquer movimento que faça. No parto normal o sangramento geralmente é três vezes menor que na cesárea e o pós-parto costuma ser mais tranqüilo, com menos dor – e a recuperação é praticamente imediata, podendo a mulher voltar aos seus afazeres bem mais rápido.

* (IPGO) - Instituto Paulista de Ginecologia, Obstetrícia e Medicina da Reprodução www.ipgo.com.br.

15 respostas - para o que toda grávida sempre quis saber - sobre o parto

Depois das novidades da gravidez - como os desconfortos, os ultrassons, as emoções -, é comum, principalmente se você estiver no terceiro trimestre, que a sua preocupação seja com o parto. Saiba que esse sentimento é normal, mas procure relaxar. Há muitos mitos em torno do assunto - como a dor, a anestesia ideal -, e tenha certeza: o parto é mais tranquilo do que se imagina. Foi pensando em deixar você mais calma que respondemos às principais dúvidas das grávidas a respeito do nascimento do bebê. Lembre-se ainda de que conversar com o seu médico é fundamental. Não tenha vergonha de perguntar.


1 - Quais são os sinais de que o parto está próximo?
Para 60% das mulheres, o sinal de largada são as cólicas, que começam na parte final da coluna - ou na bexiga - e são acompanhadas pelo endurecimento do útero. Você também pode perceber que chegou a hora se houver vazamento de líquido amniótico pela vagina depois que a bolsa estourar, se tiver um pequeno sangramento ou, ainda, se eliminar o tampão mucoso que protege a entrada do útero. Em menos de 2% dos casos, a mulher não apresenta nenhum indício de que o bebê está chegando.


2 - Quais são as fases do trabalho de parto?
A primeira etapa começa quando as contrações ficam ritmadas, de dez em dez minutos, e seu útero chega à dilatação completa, de dez centímetros. A segunda fase é a de expulsão do bebê, quando você fará força. A última é chamada de dequitação e acontece quando a placenta sai pelo canal do parto, normalmente dez minutos após a saída do bebê.


3 - Quanto tempo pode durar um trabalho de parto?
Os médicos consideram que a gestante entrou em trabalho de parto quando tem mais de três centímetros de dilatação no útero. Desse momento em diante, um parto demora de oito a 18 horas.


4 - Como são as contrações?
Você vai sentir que a barriga fica bem dura e também uma dor semelhante à das cólicas menstruais, nas costas, na altura do sacro, vindo em direção ao abdômen. Essa dor começa fraca, intensifica-se no pico da contração e depois some, como uma onda. Conforme o trabalho de parto avança, as contrações ficam mais frequentes, fortes e demoradas. No intervalo entre elas, você não vai sentir nada. É importante saber que, a cada contração que passa, é sinal de que logo você estará com seu filho no colo!


5 - É possível deixar esse momento antes do parto mais confortável?
Técnicas de relaxamento e respiração e massagens circulares nas costas ajudam muito durante o trabalho de parto. Caminhar contribui para diminuir a dor das contrações e controlar a ansiedade. Procure uma posição que seja mais confortável para você, sentada ou em pé. Outra opção para alívio das dores é ficar em imersão numa banheira de água quente. Procure respirar de maneira profunda e lenta, inspirando pelo nariz e expirando pela boca, isso melhora o oxigênio que vai para o bebê.


6 - Quando devo ir para a maternidade?
Quando você começar a sentir contrações regulares, com intervalos diminuindo e a intensidade aumentando. Uma dica é se deitar um pouco depois de um banho quente. Se as contrações diminuírem ou pararem, ainda não deve ter chegado a hora.


7 - Vou precisar raspar os pelos pubianos?
Antigamente, os médicos faziam a tricotomia (raspagem total) por achar que facilitava a higiene. Mas a prática caiu em desuso, pois as fissuras provocadas pela depilação aumentam as chances de infecção. O ideal é manter os pelos aparados ou curtos.


8 - O que é melhor: parto normal ou cesárea?
Tanto para a mãe quanto para o bebê, o parto normal é mais saudável e menos arriscado. A recuperação da mulher costuma ser mais fácil. Já a cesárea, como qualquer cirurgia, implica riscos. Se houver erro no cálculo da idade gestacional, o bebê pode nascer prematuro. É indicada quando não é possível realizar o parto normal ou quando a segurança de mãe e filho está em risco.


9 - Quais são as opções de anestesias para o parto?
Há três técnicas, e a indicação de cada uma delas depende de fatores, como o quadro clínico, a tolerância da paciente à dor e o estágio em que está o trabalho de parto. A anestesia peridural, mais fraca em relação aos outros métodos, permite a renovação da dose e não tira a sensibilidade da mulher aos movimentos. Na raquidiana, anestesia de efeito mais rápido e mais potente, a aplicação é única. A terceira opção é o duplo bloqueio, que combina as anteriores e é indicada para quem tem muita sensibilidade à dor e ainda está no início do trabalho de parto. No parto normal, pode ser utilizada qualquer uma das técnicas. Na cesariana, a participação da mulher não é importante, por isso, normalmente, os médicos usam a raquidiana.


10 - Vou sentir dor no parto?
A anestesia acaba com a dor. No parto normal, em geral, os médicos esperam que a gestante esteja com 5 centímetros de dilatação para aplicar o analgésico. Isso porque as contrações representam um estímulo importante para o bebê. Os médicos, no entanto, admitem que quem deve indicar o momento da anestesia é a grávida porque o limite da dor é diferente de uma mulher para outra. É preciso ficar atenta para não se deixar influenciar por cenas de sofrimento no parto divulgadas em filmes, novelas. A realidade não é essa.


11 - Quando é feita a indução do parto?
Quando o colo do útero não dilata o suficiente para a passagem do bebê ou demora demais e por algum motivo o parto precisa ser acelerado, o médico induz o útero a contrair, usando um hormônio chamado ocitocina, que é sintetizado em laboratório. Você o receberá injetado, por meio de um cateter no braço.


12 - Quais são as melhores posições para ter parto normal?
O ideal é que você esteja confortável. Na hora da expulsão do bebê, você pode ficar apoiada sobre o lado esquerdo, com uma perna estendida e outra flexionada, recostada na cama, de cócoras ou agachada na água. A posição tradicional, deitada com as pernas em perneiras, facilita o acesso do médico ao bebê, mas exige mais esforço na hora da expulsr ão, já que a gravidade não ajuda. Também tem outra desvantagem: você não vê o bebê nascendo. Converse com o seu médico antes sobre isso.


13 - Vou ter que fazer episiotomia?
Esse corte no períneo (a musculatura entre a vagina e o ânus) é feito para facilitar a saída do bebê no parto normal e evitar o rompimento dos tecidos nessa região. Ele acontece quando a gestante já recebeu a anestesia para o parto. Se não houve analgesia, você pode pedir um anestésico local. Alguns médicos nem a realiza mais, e nem sempre a mulher precisa fazer a episiotomia. Converse com o seu obstetra sobre esses detalhes antes do parto.


14 - Onde é feito o corte da cesárea?
A incisão é feita bem pertinho da região dos pelos pubianos e tem, em média, 10 centímetros. Os pontos serão retirados duas semanas depois do parto. A cicatriz tende a sumir com o tempo.


15 - Posso amamentar o meu filho logo após o nascimento?
Tudo vai depender das suas condições de saúde e as do seu bebê. Se ambos estiverem bem, sim. A mamada na primeira hora favorece a capacidade de a mãe prosseguir com a amamentação com sucesso. Além disso, ela faz com que o bebê fique menos estressado e tenha a frequência cardíaca mais equilibrada. Além de todos os benefícios da amamentação, sugar o peito estimula a liberação de ocitocina na mãe, que incentiva contrações uterinas, expulsando a placenta.

Parto - Mitos e Fatos

São poucos os fatos da vida envoltos em tanto mistério, medos e tabus quanto o parto. Talvez nem o sexo tenha sido tão mistificado, alguém aqui já ouviu falar de quem tenha medo de morrer de sexo? Ou de ter falta de líquido, cordão enrolado, bacia estreita para o sexo?
Quem já esteve grávida fartou-se de ouvir de amigos, parentes, conhecidos e até de desconhecidos sobre os grandes perigos do parto. Todo mundo tem uma história trágica a contar. São tantas histórias dramáticas que não consigo entender como é que as nossas cidades não estão povoadas de pessoas lesadas, paralisadas, ressecadas e enroladas em cordões assassinos! Sem contar nas mulheres alargadas e com incontinência urinária no último grau.
Qual é a grávida que não foi parada pela manicure, pela cobradora do ônibus, pela cunhada da prima da vizinha para ouvir uma história tenebrosa sobre o bebê que bebeu água do parto, que chorou na barriga, que fez cocô no líquido amniótico, que secou de tanto que passou da hora, que tinha 30 voltas de cordão no pescoço, que teve um parto seco, que teve um fórceps tão forte que lhe afundou o crânio de lado a lado?
Se você está grávida e se a sua barriga já aparece, certamente você já ouviu uma história dessas e não gostou nada dos pulos que seu coração deu. Pensando em ajudar as mulheres que se encontram nessa situação, aqui vão algumas dicas para ajudar a desmistificar os 'grandes perigos' que as cercam quanto mais o parto se aproxima.
MITO EXPLICAÇÃO FATOS
Falta de Dilatação Muitas mulheres hoje em dia dizem que não conseguiram ter um parto porque tiveram falta de dilatação. Tecnicamente não existe falta de dilatação em mulheres normais. Ela só não acontece quando o médico não espera o tempo suficiente. A dilatação do colo do útero é um processo passivo que só acontece com as contrações uterinas.
Bacia Estreita Uma mulher com bacia estreita não teria espaço para a passagem do bebê Existem situações não muito comuns em que um bebê é grande demais para a bacia da mulher, ou então está numa posição que não permite seu encaixe. Não mais que 5% dos partos estariam sujeitos a essa condição. Além disso, tecnicamente é impossível saber se o bebê não vai passar enquanto o trabalho de parto não acontecer, a dilatação chegar ao máximo e o bebê não se encaixar.
Parto Seco Um parto depois que a bolsa rompeu seria uma tortura de tão doloroso. A verdade é que depois que a bolsa rompe o líquido amniótico continua a ser produzido, e a cabeça do bebê faz um efeito de 'fechar' a saída, de modo que o líquido continua se acumulando no útero. Além disso o colo do útero produz muco continuamente que serve como um lubrificante natural para o parto.
Parto Demorado Um bebê estaria correndo riscos porque o parto foi/está sendo demorado. Na verdade o parto nunca é rápido demais ou demorado demais enquanto mãe e bebê estiverem bem, com boas condições vitais, o que é verificado durante o trabalho de parto. Um parto pode demorar 1 hora como pode demorar 3 dias, o mais importante é um bom atendimento por parte da equipe de saúde. O que dá à equipe as pistas sobre o bebê são os batimentos cardíacos. Enquanto eles estiverem num padrão tranquilizador, então o parto está no tempo certo para aquela mulher.
Bebê passou da hora O bebê teria como uma 'data de validade' após a qual ele ficaria doente Os bebês costumam nascer com idades gestacionais entre 37 e 42 semanas. Mesmo depois das 42 semanas, se forem feitos todos os exames que comprovem o bem estar fetal, não há motivos para preocupação. O importante é o bom pré-natal. Caso os exames apontem para uma diminuição da vitalidade, a indução do parto pode ser uma ótima alternativa.
Cordão Enrolado A explicação é de que o bebê iria se enforcar no cordão umbilical O cordão umbilical é preenchido por uma gelatina elástica, que dá a ele a capacidade de se adaptar a diferentes formas. O oxigênio vem para o bebê através do cordão direto para a corrente sanguínea. Assim, o bebê não pode sufocar.
Não entrou/não teve  trabalho de parto A idéia aqui é de que a mulher em questão tem uma falha wrap2ral que a impede de entrar em trabalho de parto A verdade é que toda mulher entra em trabalho de parto, mais cedo ou mais tarde. Ela só não vai entrar em trabalho de parto se a operarem antes disso.
Não tem dilatação no final da gravidez A explicação é que o médico fez exame de toque com 38/39 semanas e diz que a mulher não vai ter parto porque não tem dilatação nenhuma no final da gravidez. Tecnicamente uma mulher pode chegar a 42 semanas sem qualquer sinal no wrap2, sem dilatação, sem contrações fortes, sem perder o tampão e de uma hora para outra entrar em trabalho de parto e dilatar tudo o que é necessário. É impossível predizer como vai ser o parto por exames de toque durante a gravidez.
Placenta envelhecida A placenta ficaria tão envelhecida que não funcionaria mais e colocaria em risco a vida do bebê O exame de ultra-som não consegue avaliar exatamente a qualidade da placenta. A qualidade da placenta isoladamente não tem qualquer significado. Ela só tem significado em conjunto com outros diagnósticos, como a ausência de crescimento do bebê, por exemplo. A maioria das mulheres têm um 'envelhecimento' normal e saudável de sua placenta no final da gravidez. Só será considerado anormal uma placenta com envelhecimento precoce, por exemplo, com 30 semanas de gravidez.
Curiosamente, a amamentação também tem uma maravilhosa lista de mitos e lendas, sempre no sentido de diminuir a confiança da mãe em sua capacidade. Se você conhece algum mito interessante do parto ou da amamentação que queira nos contar, nós poderemos incluir neste quadro! Aproveite agora para cuidar de você e do seu bebê. Não deixe que os pessimistas de plantão estraguem esse maravilhoso momento da vida de vocês.
Ana Cristina Duarte
Doula, Educadora Perinatal, Graduanda em Obstetrícia pela USP Leste
Mãe de Júlia (Cesárea Desnecessária) e Henrique (Parto Normal Hospitalar)

A escolha do parto

No post anterior eu falei sobre o parto, e o parto que eu tinha decidido que eu queria. A Cecília só nasceria de cesária se não desse mesmo pra nascer por baixo.
E eu ia ser forte, e não ia gritar.

A escolha do parto
Normal ou cesárea. Você já sabe como quer o seu?

Thais Lazzeri

Beto Tchernobilsky
Você já passou da metade da gravidez? Então chegou a hora de pensar no parto. Os mais comuns são parto normal e cesárea. Nascem, por ano, cerca de 2,5 milhões de bebês. 88% dos partos são realizados no SUS, dos quais 31% são cesáreas. O restante é feito na rede privada, com 84% deste tipo de parto. Saiba mais sobre os dois tipos e decida o seu com o obstetra:

Normal – É saudável e menos arriscado. É preferível, se não há complicações para você nem para o bebê. A recuperação costuma ser mais fácil.

Cesárea – Como qualquer cirurgia, implica riscos. Se houver erro no cálculo da idade gestacional, o bebê pode nascer prematuro. É indicada quando não é possível realizar o parto normal ou quando a segurança de mãe e filho está em risco.

O parto

Eu sempre quis que a Cecília nascesse por parto normal.
Eu pedia opinião para outras mulheres, e a disputa entre cesariana e parto nomal era/é gigantesca.
E esse, acho que era meu 2° maior medo.
Minha mãe teve nós 3 por parto normal, e por isso para mim, parto normal era/é normal.
Minha madrasta teve meus dois irmãos por parto cesariana, mas sempre quis parto normal.
Várias amigas minhas falavam que parto normal era ruim, e que parto cesaria era melhor, e outras diziam ao contrario, e uma amiga que trabalha na área de saúde disse que se ela pudesse não tinha filho de nenhuma das 2 maneiras.

Esse foi meu campeão de pesquisas.

O PARTO!

Apesar de tudo, essa disputa e o medo. Eu já tinha me decidido por ter a Cecília por parto normal, já tinha avisado minha médica, e tudo indicava que ia seguir por esse caminho.
Então eu fazia regularmente o exercicio para manter o episio forte.

E agora você leitor me pergunta: Tenikey que "diacho" é isso?
Segue abaixo como fazer:

Exercícios para o Assoalho Pélvico: como fazer os exercícios e manter uma vagina poderosa

Para localizar esses músculos, faça o seguinte:

1. Tente parar o fluxo de urina quando você estiver sentada na privada. Se você conseguir, está usando os músculos certos. Não se preocupe se não consegue parar a urina no começo. À medida que você vai fazendo os exercícios, eles vão ficando mais fortes.
2. Imagine que você está tentando evitar de soltar gases. Aperte os músculos que você usaria.
3. Deite-se e coloque um dedo dentro da vagina quando contrai a vagina ou segura a urina. Sinta a contração do músculo para conferir que está contraindo o lugar certo.
Tente não apertar outros músculos ao mesmo tempo. Muitas vezes, contraímos os músculos da perna ou da barriga, ou mesmo prendemos a respiração.
 
Agora que você já sabe como contrair, vamos aos exercícios básicos. Para começar, você pode fazer em casa, em sua cama, etc.. Mas quando você se acostuma, pode fazer em qualquer posição ou lugar: enquanto espera numa fila, no seu trajeto de ônibus, parada no trânsito, enquanto ouve música, durante a transa, enfim, use sua imaginação.
Exercício número 1 - contração e relaxamento básicos
Deite-se de costas, de lado, ou de bruços, com as pernas e o peito relaxados. Imagine o “oito” do assoalho pélvico. Faça uma contração e sinta os esfíncteres ficando mais apertados e as passagens internas (vagina, uretra, ânus) mais fechadas. Relaxe.
Concentre-se no esfíncter da frente, o que fecha a vagina e a uretra. Coloque a ponta dos dedos em cima do osso da púbis (mais ou menos onde começam os pêlos, indo da barriga para a vulva) e contraia bem forte a vagina. Dá para sentir a contração nos seus dedos também, pois o osso se move do lugar dele. Conte até cinco e relaxe. Repita 10 vezes.
À medida que você vai ficando mais forte nessa área, vá aumentando as repetições. O ideal é chegar a 50 vezes, três vezes ao dia.
Exercício número 2 - O Elevador
Coloque-se em uma posição confortável. Imagine que você está subindo em um elevador. À medida em que você sobe os andares, tente imaginar os músculos cada vez mais contraídos, sem perder a contração que vai se acumulando. Quando estiver bem contraído, vá descendo os “andares” aos poucos, até relaxar completamente os músculos. Sempre termine o exercício com uma contração.
Nesses exercícios, a qualidade é tão importante quanto a quantidade. E o bom é que esses exercícios podem ser feitos durante praticamente qualquer atividade, e ninguém precisa saber que você está se exercitando.
Fonte: Women´s Health Library 

Pronto!! Esse exercicio é simples e qualquer mulher pode fazer.